A seita na América Central que espera Jesus e não leva as crianças ao médico

Comunidade religiosa na Nicarágua, com mais de 300 crianças, muitas delas com catapora, aguarda ‘arrebatamento divino’; autoridades estudam intervir no local.

Mais de 600 pessoas esperam a chegada do Espírito Santo e o arrebatamento divino na Nicarágua (Foto Alejandro SanchezEl Nuevo Diario)

Mais de 600 pessoas esperam a chegada do Espírito Santo e o arrebatamento divino na Nicarágua (Foto: Alejandro SanchezEl Nuevo Diario)

Enquanto seus pais ou responsáveis aguardam o retorno de Jesus Cristo na Nicarágua, mais de 300 crianças e adolescentes estão sem ir à escola ou receber atendimento médico.

Essas pessoas são membros de um grupo religioso com mais de 650 integrantes que se autodenomina “O corpo místico de Cristo”. Eles aguardam em El Viejo, uma vilarejo perto da cidade de Chinandega, o “arrebatamento divino” – um evento narrado na Bíblia em que pessoas seriam levadas aos céus para ficarem com Deus após o apocalipse.

Entre os membros do grupo há nicaraguenses, mas também pessoas de El Salvador, Guatemala e Honduras, de acordo com autoridades do país.

Uma jornalista nicaraguense, Carol Munguía, do El Nuevo Diario, visitou a comunidade e contou ter ficado chocada com o estado de precariedade em que se encontram seus habitantes, especialmente as crianças e adolescentes.

“Há ali mais de 600 pessoas, muitos adolescentes e crianças em estado vulnerável e todas amontoadas”, disse Munguía à BBC Mundo.

A repórter relatou que os pastores que lideram a comunidade, 11 no total, moram em casas de cimento, com computadores e acesso à internet, enquanto os “outros estão amontoados, vivendo em cabanas feitas com folhas de palmeira, plástico e madeira, uma a meio metro da outra, e dormem em redes”.

Relatos sobre as condições de vida na comunidade tiveram grande repercussão no país, onde há grande preocupação com o estado de saúde das crianças, que por ordem dos adultos não têm acesso à atenção médica.

Adultos não permitem que crianças frequentem escola ou recebam atendimento médico (Foto: Alejandro Sanchez/El Nuevo Diario)

Adultos não permitem que crianças frequentem escola ou recebam atendimento médico (Foto: Alejandro Sanchez/El Nuevo Diario)

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